E ela se sente um pouco frustrada, na verdade. Viver em uma realidade onde as pessoas não acreditam mais no amor a frustra profundamente, afinal tudo aquilo em que acredita torna-se um grão de areia em meio as enxurradas de descrença e pessimismo alheios. Chateia-se quando ouve alguém dizer que “relacionamentos não funcionam” e que começar é perda de tempo. Tentar então, sem chances. Mas e as exceções? Não contam?
E quem acredita em exceções hoje em dia?
Indaga-se até onde deve levar em consideração tudo isso, ou até onde pode brigar por aquilo que seu coração acredita. O que precisamos afinal? Só de sexo? Só de liberdade? Só de desapego? Só de fugacidade? Quem é feliz tendo só isso? E quem é infeliz? Onde queremos chegar?
A maioria está sem rumo, sem ideais de vida e pior, sem sonhos…
Mas e o sonhador, é trouxa? Vive em um mundo que não é real? Mas então qual é o real? Quem o fez? Quem é responsável por tudo isso? Por que tantas perguntas? Por que as pessoas não respondem? Por que elas não pensam?
Pensar cansa, tira a beleza e é perda de tempo. Muito mais fácil é entregar-se ao vão dos dias. Vive um, depois mais outro, e mais outro. Quando se dá conta, já tem 50, 60, 80… 90. Foi feliz? Valeu a pena? Se arrepende de algo? Faria de novo? E quanto ao amor?
Ah, o amor é cafona, ser fiel é tolice, dedicar-se a uma pessoa é perda de tempo e respeitar quem acredita no amor é para os otários. Bom mesmo é sair espalhando pelos quatro cantos suas dores e experiências ruins para que todo mundo acredite que viver diferente da maioria não vale a pena. Aí então a maioria acredita e aumenta a cada dia.
E quem fica do outro lado continua se perguntando: até quando?

